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Número 156-Junho 2019

Nesta Edição

Instituto MDT, três anos
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Em 20 de junho de 2019, o Instituto MDT (Instituto do Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos) completou três anos de atividades como Organização Não Governamental – ONG. No dia 25 de setembro de 2019, completará 16 anos de lutas, empreendidas inicialmente como Articulação MDT.

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Por meio de atividades, publicações e da participação de sua direção e dos associados, o Instituto MDT tem procurado difundir informações e ampliar a condição de reflexão na sociedade sobre a importância de haver reequilíbrio na matriz dos deslocamentos urbanos e, sobretudo, a prioridade para os meios não motorizados e de transporte público no conjunto das alternativas de mobilidade, sempre em favor de cidades com menos estresse, menos poluição ambiental e sonora, menos vítimas do trânsito e que tenham o espaço público das vias democratizado.

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O Instituto MDT tem se engajado na luta por uma tarifa cidadã, transparente no entendimento social de seus custos, com garantia do equilíbrio econômico do sistema, integração de todos os modos de transporte público e integração desses com a mobilidade ativa, de maneira a efetivar o transporte público como o meio massivo prioritário de acesso universal a todos os serviços e benefícios que a cidade pode proporcionar.

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Este foi o primeiro aniversário sob uma nova gestão – a segunda –, eleita em dezembro último para o período 2019-2021, que tem como presidente Getúlio Vargas de Moura Júnior, e vice-presidente Juarez Bispo Mateus, e cuja composição revela a continuidade da diversidade de representação, com a congregação de todos os segmentos históricos do MDT.

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Em seus três anos de existência, o Instituto MDT superou as etapas de estruturação e oficialização da nova entidade e de composição do Conselho Diretor e vem elaborando os Planos Anuais de Gestão e de Ação para orientar suas atividades, definindo temas políticos prioritários, formato de atuação institucional e caminhos para buscar novos parceiros. Em 2018 foi estabelecido o Regimento Interno da entidade.

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O Instituto MDT também logrou consolidar o curso Mobilidade Urbana Sustentável, Meio Ambiente e Inclusão Social, realizado com base em publicação homônima. E manteve e vem aprimorando as antigas e sólidas parcerias com o Instituto RUAVIVA para ações da Jornada Brasileira ‘Na Cidade, Sem Carro’; com o Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU) e com o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana, contribuindo com propostas referentes à mobilidade urbana nas lutas por moradia, e com diferentes outras entidades que atuam no campo da defesa e da qualificação do transporte público urbano.

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Neste ano, pela primeira vez, o Instituto MDT esteve representado no congresso mundial da União Internacional de Transportes Públicos (UITP), realizado em Estocolmo, passo que oxigena a compreensão que tem a entidade a respeito do setor em que atua e que fortalece a perspectiva de novas conquistas.

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Parabéns e vida longa ao Instituto MDT!

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GETÚLIO VARGAS DE MOURA JÚNIOR, Presidente do Instituto MDT e Presidente da CONAM

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NAZARENO STANISLAU AFFONSO, Diretor Nacional do Instituto MDT

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WESLEY FERRO, Secretário Executivo do Instituto MDT

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Instituto MDT participou em Estocolmo, Suécia, do Congresso da União Internacional de Transportes Públicos (UITP) 2019 De 9 a 12 de junho de 2019, em Estocolmo, Suécia, o diretor nacional do Instituto MDT, Nazareno Affonso, acompanhou diferentes atividades do Congresso da UITP 2019. Pela primeira vez, o Instituto MDT participou desse encontro. A União Internacional de Transportes Públicos (UITP) é entidade global criada em 1885 e que, atualmente, conta com mais de 1.600 empresas associadas, que atuam em 99 países, incluindo o Brasil e outros países latino-americanos, estes, reunidos na UITP Divisão América Latina. O congresso contou com 474 expositores de 46 países; 53 sessões expositivas com 300 palestrantes; 2.718 participantes de 81 países e mais de 15.000 visitantes e quase 170 representantes da imprensa e mídias de 40 países.Ler em página de impressão
Para diretor do Instituto MDT, iniciativas como o Mobilize Summit, do ITDP, favorecem a produção e reprodução de ideias voltadas para a mobilidade sustentávelApós ter participado da Mobilize 2019 – Cúpula Anual de Transporte Sustentável, iniciativa internacional do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), realizado de 24 a 26 de junho de 2019, em Fortaleza/CE, o diretor nacional do Instituto MDT, Nazareno Affonso, afirmou que iniciativas como esta favorecem a produção e reprodução de ideias voltadas para a mobilidade sustentável. A quarta edição do Mobilize Summit foi promovida pelo ITDP em parceria com a Fundação Bernard van Leer, a Fundação Educacional e de Pesquisas Volvo e a Prefeitura de Fortaleza. O encontro marcou o fato de a capital cearense ter vencido o Prêmio Transporte Sustentável pela adoção de boas práticas em suas ruas desde 2014, incluindo ruas completas ou divisão equitativa do espaço viário; redução das emissões de dióxido de carbono e aumento a segurança nas vias, priorizando o transporte público, o ciclismo e a caminhada.Ler em página de impressão
Instituto MDT acompanha o Seminário de Mobilidade Saudável em que foi apresentado o estudo 'Impacto da (i)mobilidade cotidiana na saúde e bem-estar', comparando grupos sociais no Brasil e Reino UnidoO diretor nacional do Instituto MDT, Nazareno Affonso, acompanhou em Brasília, em 19 de junho de 2019, os trabalhos do seminário sobre Mobilidade Saudável realizado pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados em conjunto com a Universidade de Brasília (UnB). Nesse encontro, foi apresentado o estudo do Impacto da “(i)mobilidade” cotidiana na saúde e bem-estar, comparando grupos sociais no Brasil e no Reino Unido.Ler em página de impressão

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Instituto MDT participou em Estocolmo, Suécia, do Congresso da União Internacional de Transportes Públicos (UITP) 2019 Pela primeira vez, o Instituto MDT participou do Congresso da União Internacional de Transportes Públicos (UITP), entidade global criada em 1885 e que, atualmente, conta com mais de 1.600 empresas associadas, que atuam em 99 países, incluindo o Brasil e outros países latino-americanos – estes, reunidos na UITP Divisão América Latina.
 
De 9 a 12 de junho de 2019, em Estocolmo, Suécia, o diretor nacional do Instituto MDT, Nazareno Affonso, acompanhou diferentes atividades do Congresso da UITP 2019; ele havia participado do Congresso da UITP de 2005, em Madrid representando, na ocasião, a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), da qual era dirigente.
 
Também estiveram em Estocolmo membros do Conselho Diretor do Instituto MDT, como Roberto Sganzerla e Marcos Bicalho dos Santos, representando suas respectivas organizações. Entidades e profissionais parceiros do Instituto MDT igualmente participaram do evento global na capital sueca.
 
Os membros da UITP são autoridades de transporte público, operadores, tomadores de decisões políticas, institutos de pesquisa e a indústria de fornecimento e serviços de transporte público. O objetivo do Congresso da UITP, de caráter bienal, é propiciar oportunidades estratégicas para as redes de transporte público urbano ao redor do mundo e possibilitar o desenvolvimento de novas parcerias, investimentos e projetos inovadores.
 
Como já era esperado, por ter sido realizado em território europeu, o Congresso da UITP 2019 foi maior do que o realizado em 2017, em Montreal, Canadá. Nesta edição o Congresso contou com 474 expositores de 46 países; 53 sessões expositivas com 300 palestrantes; 2.718 participantes de 81 países e mais de 15.000 visitantes e quase 170 representantes da imprensa e mídias de 40 países. A mostra de produtos e serviços contou com centenas de expositores distribuídos por dois pavilhões que somavam 40 mil metros quadrados.
 
ARTE DO TRANSPORTE PÚBLICO
 
Nazareno Affonso, que, além de arquiteto e urbanista, é artista plástico e fotógrafo, elogiou o tema central do Congresso UITP 2019: A Arte do Transporte Público, considerando-o a principal marca do evento. “A idéia é que todos nós façamos parte desse projeto, dessa obra mestre: o cliente, a indústria, o poder público todos trabalhando juntos para fazer do transporte urbano uma obra prima de arte”.
 
O dirigente do Instituto MDT informa: “O tema foi apresentado pela UITP por meio de uma excelente palestra do artista e animador Christoph Niemann, em que mostrou como um verdadeiro amor pelo transporte público pode trazer cultura, propriedade e oportunidade a todas as nossas cidades. Com isso, a visão criativa para a mobilidade urbana continuou por toda parte”.
 
Os organizadores do Congresso UITP 2019 destacam que essa escolha temática simbolizou a busca da excelência na elaboração e prestação de serviços de transporte público. Houve outras abordagens. Foi dito que o transporte público é a arte do futuro e que somos os artistas do futuro e juntos vamos fazer acontecer a arte do transporte público.
 
Também foi lembrado que a arte no transporte público é estar apaixonado pela vida dos outros e criar uma emoção e uma obra mestra e servir melhor as pessoas. E que valorizar as diferenças existentes dentro do transporte público é criar, ganhar e ampliar expertise para sensibilizar a população e os governos das vantagens do transporte público para a natureza, para qualidade de vida e a saúde. Usar trem, ônibus e andar a pé deve encantar as pessoas para que assim seja criada uma obra mestra.
 
“Em Estocolmo, com a participação de mais de 200 artistas, o transporte público levou arte e beleza às estações de metrô, um ponto de encontro e de troca experiências; tive a felicidade de vivenciar essa experiência”, concluiu o diretor nacional do Instituto MDT.
 
OUTROS TÓPICOS E PREMIAÇÃO
 
Os tópicos sob os quais se enfeixaram as sessões do Congresso UITP 2019 foram Excelência no atendimento ao cliente, Planejamento e governança para melhorar qualidade de vida nas cidades, Mobilidade como Serviço (MaaS) e o novo paradigma da mobilidade combinada, Atrair novos talentos e habilidades, Excelência operacional, Fundos e financiamento e Colhendo inovação.
 
Houve ainda o anúncio dos vencedores do UITP Awards 2019, nas categorias: Processos e produtos de design, Diversidade e inclusão, Campanha de marketing, Integração multimodal, Excelência operacional e tecnológica, Estratégia de transporte público urbano, Financiamento inteligente, Financiamento e modelos de negócios e Jovens pesquisadores
 
PONTOS DE REALCE
 
Nazareno Affonso assinalou que um elemento de discussão que atraiu sua atenção no encontro foi a ênfase e a velocidade que vem sendo dada à busca da chamada eletromobilidade, ou seja, o uso da eletricidade com base da energia de tração nos sistemas de transporte público e de transporte motorizado nas cidades. Referindo-se à exposição de produtos e serviços correlata ao Congresso da UITP 2019, Nazareno salientou que, quanto aos ônibus, “a maioria, para não dizer a quase totalidade” dizia respeito a veículos elétricos. “Havia alguma coisa de hidrogênio, mas basicamente os fabricantes mostravam soluções de eletromobilidade. E nas sessões expositivas e de debate o tema da eletromobilidade dominava”.
 
Ele acrescentou: “Oslo tem uma perspectiva de, até 2024, de estar totalmente eletrificada quanto à mobilidade. E não é só com relação ao transporte público. A cidade está focada também na eletromobilidade para o automóvel. Uma meta por lá é fazer com que, de cada dois carros, um seja elétrico; outro ponto buscado é a definição de uma rota de carro autônomo. Há um compromisso muito grande com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a cidade mostra firme foco no cliente”.
 
Outros casos foram relatados. Na Índia, há um grande programa para ampliação do número de ônibus elétricos e forte investimento em ferrovia. O pequeno estado de Luxemburgo tem um parque elétrico, com veículos limpos e silenciosos e ônibus pontuais; lá, a ideia é oferecer transporte público gratuito já a partir de 2020.
 
Nazareno Affonso afirmou: “Deixei Estocolmo com a convicção de que o Instituto MDT precisa se engajar na questão e trabalhar para que o Brasil ingresse de fato nesse tema da eletromobilidade, que é parte significativa da sustentabilidade ambiental desejável. Tendo como exemplo as experiências internacionais quanto aos prazos – que refletem a urgência necessária – vamos participar do esforço para ter sistema um de mobilidade eletrificado em todas as cidades do pais”.
 
O dirigente do Instituto MDT destacou ainda que em uma das sessões ficou evidenciada a importância da estruturação do sistema de transporte público urbano, com a erradicação da competição voraz entre veículos velhos, ambientalmente inadequados e sua substituição por um sistema organizado em rotas predeterminadas, com ônibus novos e, em alguns casos, a introdução de sistemas de maior capacidade e eficiência, como os corredores de tipo BRT (Bus Rapid Transit).
 
Ele sublinhou o caso de Bogotá, na Colômbia, onde há prioridade para a mobilidade elétrica, redução de impostos incidentes sobre as bicicletas e a promoção de muita atividade cultural vinculada ao uso dos espaços públicos, além de incentivo à migração para um transporte publico subsidiado. E ainda um esforço para fazer cair o do uso das motos de maneira a reduzir mortalidade nas ocorrências de trânsito.
 
Nazareno também elogiou o relato de uma experiência desenvolvida em Buenos Aires, Argentina, referente a um trabalho destinado a oferecer um tratamento diferenciado às mulheres através de uma política de incentivo ao uso do transporte público com a criação de um bilhete social com redução de 55%, envolvendo subsídio do Estado de 2/3 do custo para 35% das viagens. “Esta iniciativa vem sendo realizada sob o argumento de que mulheres enfrentam as atividades domésticas, eventualmente trabalham fora para ajudar no sustento da casa e ainda cuidam dos filhos, por exemplo, levando-os e buscando-os na escola. Assim, o projeto tem como base conceder a elas uma tarifa reduzida”.
 
MELHORAR A EXPERIÊNCIA DO TRANSPORTE
 
Outro aspecto a ressaltar no Congresso UITP 2019 diz respeito à necessidade de melhorar a qualidade da experiência do transporte e da mobilidade. Na opinião de Paulo Fraga, diretor da CittaMobi, o evento teve como ponto de destaque o anúncio sobre o futuro da mobilidade integrada através do conceito Mobility as a Service (MaaS) – ou Mobilidade como um Serviço. Esse conceito possui como fundamental ponto a integração de viagens Intermodais, ou seja, que considera ao longo do trajeto de A para B a rota mais adequada de acordo com o perfil do cliente, podendo ser uma combinação entre o transporte público, aplicativos de chamada de transporte individual, micromobilidade e outros recursos.
 
Para Fraga, o movimento está apenas no começo, tendo ficado evidente que a Europa está tomando a dianteira nas discussões e implementação do modelo, que passa por alguns níveis de maturidade. “Neste momento, já existem iniciativas que disponibilizam a informação das rotas, mas uma evolução importante será a integração dos meios de pagamento para a realização das viagens e institucionalização do modelo pelo poder público”, assinalou.
 
Outro aspecto que destacou foi que o transporte sob demanda também se apresentou como uma tendência nas grandes cidades, de forma complementar ao transporte público, com experiências como a de Shenzhen, na China, onde há a implementação de linhas sob demanda expressas, ligando pontos de grande demanda na origem a destinos específicos, de forma dinâmica. Há um processo de estudo automatizado de origens e destinos e a linha é ofertada, caso a ocupação da mesma seja superior a 75% as viagens são confirmadas.
 
O diretor da CittaMobi concluiu dizendo que fica claro que o futuro da mobilidade urbana passa pela maior integração dos modais, a digitalização da experiência do cliente e a modernização tecnológica das operações. “O futuro já chegou e o setor está atrasado. De todo modo, boa notícia é que tudo o que vimos no evento global da UITP nos dá uma boa sensação: a resposta está vindo através do dos operadores do transporte público”.
 
TRÊS PONTOS
 
Integrante do Conselho Diretor do Instituto MDT e consultora da UITP América Latina, a arquiteta Valeska Peres Pinto destacou que o Congresso da UITP 2019 em Estocolmo propiciou aos visitantes aprofundamento sobre os temas da tecnologia, automatização, eletrificação e foco no atendimento das pessoas.
 
Valeska assinala que o encontro de Estocolmo realçou três aspectos. Um deles diz respeito à questão de a mobilidade ser o insumo indutor da recuperação das cidades, de inclusão de segmentos da sociedade que moram na cidade e de valorização da própria dimensão e de importância das cidades.
 
Um segundo ponto se refere ao meio ambiente, dentro de uma ótica de gestão ambiental, na qual a mobilidade deve ser colocada como um dos principais instrumentos para reduzir perdas e desgastes, desperdícios de energia e deter o aumento da contaminação do ar e da poluição sonora; ou seja, a mobilidade urbana foi efetivamente tratada como um vetor de recuperação ambiental, o que é absolutamente necessário para as cidades.
 
O terceiro aspecto apareceu em várias sessões, incluindo as falas do presidente mundial da UITP, Pere Calvet, e do secretário-geral da entidade internacional, Mohamed Mezghani: a grande preocupação de alertar as empresas que atuam no âmbito da mobilidade urbana quanto à empregabilidade no setor, tendo em conta, em especial, a perspectiva de incremento da automatização das atividades e processos no transporte público urbano.
 
VERTENTES
 
Diretor da empresa Ideia Partner, consultora especializada no mercado de mobilidade urbana e representante da UITP América Latina na Comissão Global de Tecnologia e Inovação da UITP em nível global, o engenheiro Stenio Franco destacou três vertentes no Congresso UITP 2019.
 
Um primeiro ponto foi o fenômeno dos ônibus elétricos. “Está provado que não é apenas uma tendência. Provavelmente é a plataforma que vai se estabelecer na Europa nos próximos cinco anos e rapidamente na América Latina, com foco e zero emissões e no transporte público mais limpo”.
 
O segundo ponto diz respeito a presença da tecnologia a permitir a integração entre aqueles modos que alguns ainda entendem como competidores entre si – como o táxi, a bicicleta compartilhada, o carro compartilhado, o carro privado sob demanda, requisitado por aplicativos, do que o Uber é um ícone. O especialista diz que uma corrente importante, na qual se inclui, entende que estes sejam meios complementares na oferta da mobilidade urbana. “Todos fazem parte de um mesmo sistema, integrado, e são capazes de oferecer o que vem sendo da Mobilidade como Serviço – Mobility as a Service (MaaS), um conceito diante do qual o usuário pode decidir em qualquer momento de sua jornada, de acordo com a sua conveniência, que meio utilizar para seu deslocamento”.
 
Stenio Franco mostra que o terceiro ponto diz respeito a uma percepção de volta ao básico em que prevalecem fatores como gestão, governança, eficiência operacional e relações institucionais. “Reguladores ativos trabalhando em sintonia com os operadores vão buscar e oferecer serviços de transporte público de maior qualidade, mais seguro, mais limpo e – porque não? – uma jornada mais alegre para todos”.
 
ORGANIZAÇÃO E JUVENTUDE
 
Hoje presidente da UITP Divisão América Latina, o engenheiro e professor Jurandir Fernandes participou da criação da Articulação MDT em 2003, quando era secretário de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, e exercia o cargo de presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), ocasião em que Nazareno Affonso exercia o cargo de superintendente da ANTP.
 
Jurandir Fernandes elogiou a forma global de ver da UITP, que considera cada vez mais abrangente. E se sensibilizou com a organização do Congresso UITP 2019. Disse também que o congresso fez uma varredura muito importante em todas as novas tecnologias, levando em conta tudo o que está acontecendo de revolucionário no campo da mobilidade.
 
Ele sublinhou que a organização do Congresso UITP 2019 não esqueceu o futuro sob outro aspecto, a juventude: “A juventude esteve presente de uma forma muito boa, muito forte, demonstrando a preocupação da UITP com as futuras gerações. Que os jovens engrossem as fileiras, nessa luta contínua pela mobilidade, com criatividade, no desenvolvimento de novas aplicações para a tecnologia”.
 
O dirigente também fez referência à preocupação com a arte, com a comunicação e o marketing público. “Porque não interessa você simplesmente jogar novas tecnologias para melhorar os sistemas, sem que a população sinta também as coisas boas e belas que essas tecnologias podem oferecer”.
 
MELHORES PRÁTICAS NA AMÉRICA LATINA
 
Os projetos Escuela de Ciclista, implantado pelo Ente de la Movilidad de Rosario, Argentina; o programa Ética y Compliance, desenvolvido pela Empresa de Transporte de Passageiros Metro AS, de Santiago, Chile, e o Plano Estratégico de Marketing para a construção da nova Mobilidade Urbana de Brasília, criado pela R&S – Roberto Sganzerla Assessoria e Consultoria, empresa que tem à frente Roberto Sganzerla, membro do Conselho Diretor do Instituto MDT, foram escolhidos os três melhores trabalhos do segundo ciclo do Programa Melhores Práticas da Mobilidade Urbana – UITP América Latina (2018/2019).
 
Os resultados e distinções foram anunciados na segunda-feira, 10 de junho de 2019, no Congresso da União Internacional de Transportes Públicos (UITP). O programa destinou-se aos órgãos gestores, operadores de transportes públicos, academia, centros de pesquisa e indústria envolvidos na mobilidade urbana.
 
Neste segundo ciclo, correspondente aos anos de 2018 e 2019, o programa objetivou destacar as práticas que tratem das conexões entre Governança, Comunicação, Marketing e Inovação, levam informação sobre os resultados e as dificuldades de articulação do crescente número de atores que atuam no setor, abranjam as contribuições de diferentes áreas – comunicação e jornalismo, marketing, gestão e administração, engenharia e arquitetura, direito e economia.
 
Foram inscritos 42 projetos de cinco países latino-americanos. Dez dos quais foram escolhidos como finalistas. Além dos premiados foram finalistas os seguintes programas: App de gerenciamento de serviço de transporte para usuários com mobilidade reduzida, da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU/SP), Brasil; Conceito de Usuário Frequente, da Prefeitura de Montevidéu (IM), Uruguai; NavGATe, da Companhia do Metropolitano de São Paulo, Metrô, Brasil; Lançamento nova marca padrão do sistema, do Ministério de Transportes e Telecomunicações do Chile, Diretório de Transporte Público Metropolitano (MTT/DTPM); Book de Ações 2015 a 2018, do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SETRA-BH), Brasil, e Aplicativo – MiBusMaps Panamá, Transportes Metropolitanos Panamá S/A (TMPSA/MiBus).
 
Também inserido entre os dez finalistas, o projeto Giro da Arte SBCTran garantiu à SBCTrans, da cidade de São Bernardo do Campo, Brasil, a conquista do Prêmio de Reconhecimento Internacional da UITP (União Internacional de Transporte Público), recebido pela diretora executiva da empresa, Milena Braga Romano.
 

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Para diretor do Instituto MDT, iniciativas como o Mobilize Summit, do ITDP, favorecem a produção e reprodução de ideias voltadas para a mobilidade sustentável“Encontros internacionais como este têm, a meu ver, um duplo caráter. Em primeiro lugar, configuram um resumo do que se tem feito ao redor do mundo para produzir e para reproduzir ideias sobre a mobilidade sustentável levadas às suas consequências práticas – que é o que todos queremos. E depois, no âmbito mais nacional e local – e aí me refiro a Fortaleza e ao Brasil como um todo, neste ano, mas aos outros países vencedores também: têm o condão de chamar a atenção para as questões em foco, gerando interesse da mídia, das autoridades e da academia. É um interesse valorizado pelo fato de ser um reconhecimento trazido por uma comunidade internacional de especialistas”.
 
Essas palavras foram proferidas pelo diretor nacional do Instituto MDT, Nazareno Affonso, após ter encerrado sua participação, de 24 a 26 de junho de 2019, em Fortaleza/CE, da Mobilize 2019 – Cúpula Anual de Transporte Sustentável, do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP). Ele foi ao encontro a convite da Bernard Van Leer Foundation, que custeou viagem e a estada.
 
Nazareno sublinhou que o tema da quarta edição do evento foi exatamente Reconquistando as ruas para acessibilidade e mobilidade, com foco especial em como lidar com os desafios da América Latina com soluções replicáveis em outros lugares. “Este é um ponto ao qual o Instituto MDT concede a máxima atenção. Não há evento que realizemos e não há documentos que emitimos que não tenha alusão a esse tema que é, a meu ver, uma necessária palavra de ordem: reconquistar as ruas para os mais frágeis, com prioridade para o caminhar, para os modos de deslocamento não motorizados e para o transporte público!”.
 
PRÊMIOS
 
A quarta edição do Mobilize Summit foi promovida pelo ITDP em parceria com a Fundação Bernard van Leer, a Fundação Educacional e de Pesquisas Volvo e a Prefeitura de Fortaleza. O encontro marcou o fato de a capital cearense ter vencido o Prêmio Transporte Sustentável pela adoção de boas práticas em suas ruas desde 2014, incluindo ruas completas ou divisão equitativa do espaço viário; redução das emissões de dióxido de carbono e aumento a segurança nas vias, priorizando o transporte público, o ciclismo e a caminhada.
 
Os organizadores realçam que, em 2018, Fortaleza alcançou uma meta de 108 km de corredores de ônibus dedicados, que incluem terminais de ônibus reformados e um sistema de transporte integrado. Além disso, a cidade entregou 225 km de infraestrutura cicloviária e sistemas integrados de compartilhamento de bicicletas com transporte público.
 
Tradicionalmente, ao final do Mobilize Summit, é anunciado o vencedor e anfitrião do ano seguinte, no caso, a cidade Pune, na Índia. O anúncio de Fortaleza como vencedora da edição 2019 do prêmio foi feito em 2018, em Dar es Salaam, na Tanzânia.
 
DESTAQUES
 
A cerimônia de premiação contou com a participação da secretária Relações Internacionais e Federativas de Fortaleza, Patrícia Macêdo; da presidente do ITDP, Heather Thompson; do diretor-presidente do Mobilize Summit, Michael Kodransky, e da presidente da Fundação Educacional e de Pesquisas Volvo, Jane Summerton.
 
De acordo com Heather Thompson, presidente do ITDP, o mantra da instituição é “fazer as cidades para pessoas, e não para carros” e, segundo ela, esse ponto foi plenamente compreendido pela administração municipal da capital cearense.
 
A dirigente do ITDP disse que viu de perto, em Fortaleza, a evolução das idéias discutidas no último Mobilize Summit. “Visitar a Cidade e ver aqui tanta ação nos trabalhos realizados pela Prefeitura de Fortaleza de lá para cá, como as intervenções de urbanismo tático – que viraram realidade, o protagonismo das mulheres e a inclusão de projetos de espaços públicos pensados para crianças de até três anos de idade”, destacou Heather.
 

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Instituto MDT acompanha o Seminário de Mobilidade Saudável em que foi apresentado o estudo 'Impacto da (i)mobilidade cotidiana na saúde e bem-estar', comparando grupos sociais no Brasil e Reino UnidoNo dia 19 de junho de 2019, o diretor nacional do Instituto MDT, Nazareno Affonso, acompanhou em Brasília os trabalhos do seminário sobre Mobilidade Saudável, realizado pela Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados em conjunto com a Universidade de Brasília (UnB), no qual foi apresentada pesquisa feita nas cidades brasileiras de Brasília, Florianópolis e Porto Alegre, e em Oxford, Inglaterra, revelando que a mobilidade urbana influencia qualidade de vida.
 
O diretor nacional do Instituto MDT disse que o trabalho focalizou os modais não motorizados – mobilidade ativa – e por isso o transporte público e outros modais motorizados passam praticamente a margem do estudo. Mas é relevante exatamente por isso e pelo fato de comparar realidades brasileiras com a inglesa.
 
O projeto Mobilidade Urbana Saudável (MUS) foi um estudo que visou entender o impacto da “(i)mobilidade” cotidiana na saúde e bem-estar, comparando diferentes grupos sociais que vivem no Brasil e no Reino Unido, e explorar o potencial do planejamento participativo de mobilidade com essas comunidades para apoiar e desenvolver soluções para mobilidade urbana saudável. Informações sobre o estudo, seu contexto e método podem ser obtidas por meio de link ao final desta matéria.
 

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